segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Salve Rainha

Linda, Linda! Posas rodopiante, estática
Cinderela, Lúcia, no salto o diamante!
Rasgas o salão em fogo com o voo de um
pontapé letal.
És filha do Demónio, encarnação do que de

bem tem o Mal, és deficiente, perturbada e
carente, bela e o monstro mutante!

Volta, volta! Oh voluptuosa carnação na volta
do mundo!
Resvala-te dos mamilos a prole celestial

metalizada, virgem que engoles o abismo nesse
peito imundo, fonte do nada, jorro de ouro e
fecundidade onde morrem os sãos!

Pecados, pecados! Garras de Celeno, adornos
nessas mãos, que à acutilância dos lábios levam
a vida dos homens.
Rainha prostrada do sono eterno, Sereia és
sobre Orfeu, canto que jazes sobre a força do
Eu, pedra tumular sobre os olhos!

Alícia, delicia, inocência! Criança loira de olhar

frio, Filha de Lúcifer, Glória imortal, aos justos
e anjos a perda da Fé e da Moral, rainha
tua sagrada demência!